06O que eu defendo
Valorização da Cultura e do Audiovisual
Regulação do streaming e políticas estruturantes para que o Brasil produza suas próprias histórias com autonomia, identidade e geração de empregos.
A cultura é a expressão da alma de um povo e o coração da nossa identidade. Ter autonomia e soberania sobre as ferramentas e políticas públicas necessárias para promovê-la é fundamental para nosso país. É motor de desenvolvimento social e econômico. O poder de contar nossas histórias serve a um propósito pedagógico de narrar e refletir sobre aquilo que fomos, somos e queremos ser.
O filme Ainda Estou Aqui, dirigido por Walter Salles, primeiro filme brasileiro a ganhar um Oscar, é um forte exemplo disso. O filme conta a história da minha família: meu avô Rubens Paiva, minha avó Eunice, minha mãe, tio e tias. Nele, entramos no cotidiano de uma família compromissada com o bem-estar do povo, uma família que, apesar de tanta dor, não se permitiu perder a ternura. Meu avô, torturado e assassinado pelo regime militar, foi cruelmente arrancado do convívio familiar em um dia aparentemente normal. Acompanhamos a jornada de Eunice, interpretada brilhantemente por Fernanda Torres, na busca por Rubens e sentimos a brutalidade da violência de Estado durante sua luta.
Para além dos aspectos sensíveis e artísticos do meio, não se pode deixar de destacar o lado econômico e industrial. O audiovisual hoje emprega, direta ou indiretamente, 608.970 pessoas! Isso significa para a economia R$ 70,2 bilhões de contribuição para o Produto Interno Bruto (PIB), o que representa 0,6% da economia nacional, superando setores tradicionais como o têxtil (entre 0,4% e 0,7%) e o farmacêutico (entre 0,1% e 0,3%), além de gerar 58% mais empregos do que a fabricação de automóveis em 2024. Valorizar o audiovisual é investir no espelho da nossa própria história e no motor da nossa economia. Ao garantir espaço para a nossa cultura, nutrimos a nossa identidade e impulsionamos um setor forte, gerador de renda e de soberania nacional.
O destaque recente do cinema brasileiro em premiações pelo mundo demonstra que o audiovisual é também importante na geopolítica. O exemplo da Coreia do Sul é paradigmático: por meio do fenômeno conhecido por Hallyu (a Onda Coreana), transformaram a cultura em um instrumento de soft power e diplomacia. Com investimentos estatais contínuos, a Coreia transformou seus conteúdos e entretenimento em motores econômicos e culturais. Segundo estudo da Oxford Economics, 38% dos turistas afirmam terem sido motivados a visitar o país depois de consumir produtos da Onda Coreana, como K-dramas e K-pop.
Esse alcance, no Brasil, só é possível graças ao fortalecimento do financiamento público. Mecanismos como a Lei do Audiovisual, a Lei Rouanet, o Fundo Nacional de Cultura e o Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) foram (e ainda são) as principais estruturas que permitiram a “Cinema de Retomada” após o desmonte dos anos 90 com o fim da Embrafilme. No governo Bolsonaro, descobrimos novamente o custo do abandono: extinção do MinC, corte de 43% no FSA e o desmonte completo das políticas de incentivo à cultura.
A força do nosso audiovisual está principalmente na democratização de seu acesso. As políticas nacionais de incentivo precisam ser permanentemente descentralizadas para que o cinema não fique restrito ao eixo Rio-SP. Pernambuco, Ceará, Minas Gerais e outros estados já demonstraram a potência de suas narrativas. Defender o acesso aos recursos fora do eixo é garantir que a nossa diversidade chegue às telas, para que assim o povo se veja representado!
Acima de tudo, precisamos superar de vez a falsa dicotomia que opõe cultura e indústria. O cinema é, sobretudo, a conjunção de ambas. Trata-se de um dos nossos maiores ativos estratégicos para um país soberano e orgulhoso. É dever dos nossos deputados proteger e expandir essas ferramentas. Esta será minha atuação no Congresso.
Meus compromissos
- 01
Defesa do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) e Fortalecimento da Ancine
Sustento a convicção de que o audiovisual deve ser tratado como indústria estratégica de desenvolvimento soberano.
- 02
Soberania Audiovisual e Regulação das Plataformas de Streaming
Defendo a regulamentação do mercado de VOD (video on demand/streaming) com cotas de tela obrigatórias para o conteúdo brasileiro e taxação justa do Condecine sobre as grandes corporações estrangeiras, revertendo esses ganhos diretamente para a produção nacional.
- 03
Proteção da Memória, do Patrimônio e da Identidade Nacional
Colocarei a atuação parlamentar a serviço do fortalecimento de museus, cinematecas e arquivos históricos.
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